quinta-feira, 19 de agosto de 2010

O ônibus lotado
a vida enlatada
O comprimido que abafa a dor
e quando chegar à casa
três olhos de peixe cego
sairão das botas úmidas de agosto
um suspiro abafado pelo tilintar das engrenagens
uma ladeira tortuosa
e a maquina de metal gelado
parando uma
duas
três
e inúmeras vezes mais
(a nausea habitual)
distribuindo em cada esquina
praça
e viela
os sonhos
as esperanças
os antônios
as Marias
e as filhas das Marias
a pressa de entregar-se ao banho
de chegar ao leito
a prece muda e mecânica
a espera pela hora de recomeçar
o sono sem sonhos
os olhos sem brilho
cabisbaixos se cruzam
poucos são os que se cumprimentam
na nova manhã que está pra nascer
outro dia
o mesmo trajeto
outras vozes
o mesmo cigarro solto
o tilintar mecânico do motor
ecoando
...

a nausea habitual

(ÔniBus)

Um comentário:

r. silva disse...

bom. teu, monge?